OSTEOPOROSE
Osteoporose
é uma situação de enfraquecimento dos ossos, tornando-os mais frágeis.
Isto facilita a ocorrência de fraturas conseqüentes a traumas muito
pequenos, como uma queda da própria altura ou durante o exercício de
atividades diárias, como suspender uma sacola de supermercado, arrumar a
cama, abrir uma janela, etc. Isto ocorre por um desequilíbrio do
metabolismo ósseo.
O
osso é um órgão bastante dinâmico, responsável por uma serie de funções,
de possibilitar a sustentação e movimentação do corpo e proteção de
órgãos nobres, como cérebro, pulmão e coração. Ele é o grande
reservatório de minerais com o cálcio, fósforo e magnésio, e a partir
de sua medula são formadas as células sangüíneas. Portanto, o osso é
um órgão bastante dinâmico, que está constantemente sendo renovado,
através de um processo de reabsorção do tecido antigo e substituição
por um recém-formado. Desta forma, para que ele permaneça saudável, é
necessário que exista um equilíbrio entre estes dois processos: reabsorção
e formação óssea. Nas situações em que a reabsorção se sobrepõe à
formação, ocorre a perda óssea, que resulta na osteoporose, isto é, em
uma situação onde o risco de fraturas está muito aumentado. Uma forma
de medir este risco é através da densitometria óssea. Este exame mede a
quantidade de tecido contendo cálcio, portanto nos dando uma idéia da
quantidade de osso existente neste tecido. Quanto menor esta quantidade,
maior o risco de uma fratura por fragilidade.
Ganhamos
bastante massa óssea até o final da adolescência, entre 20 e 25 anos de
idade, quando atingimos uma fase chamada de pico de massa óssea. É
quando nosso esqueleto incorpora maior quantidade de cálcio, e fica mais
resistente. Devemos tomar o cuidado para que, nesta fase, as condições
ideais sejam oferecidas ao nosso organismo, para que ele possa incorporar
a maior quantidade de cálcio possível. Sedentarismo, desnutrição ou
doenças que acometam a pessoa nesta fase da vida podem prejudicar o pico
de massa óssea.
A
partir dos 25 a 30 anos, iniciamos, tanto homens como mulheres, uma perda
gradual deste osso acumulado, perda esta que se acentua na mulher durante
o climatério. Podemos imaginar, então, que uma série de situações que
nos acometem ao longo da vida pode interferir na velocidade desta perda. O
exercício físico, uma alimentação saudável e rica em cálcio e a ausência
de fatores nocivos ao osso são capazes de reduzir a velocidade de perda
dos nossos estoques, postergando a osteoporose. Por outro lado, situações
como tabagismo, alcoolismo, alguns remédios como os corticóides, uma
menopausa precoce ou a ocorrência de doenças mais sérias nesta fase da
vida aceleram o processo de perda óssea, instalando a fragilidade óssea.
Com
o aumento da expectativa de vida, a osteoporose e as fraturas - suas
temidas conseqüências - tornaram-se um risco cada vez mais real e a sua
prevenção deve ser uma preocupação presente durante todas as fases da
vida.
Dra.
Marise Lazaretti Castro
Doutora
em Endocrinologia
Chefe
do Ambulatório de Doenças Oste-metabolicas e Fragilidades ósseas
Disciplina
de Endocrinologia da UNIFESP-EPM
OSTEOPOROSE
E DOENÇA CELÍACA
Vários
estudos demonstram a presença de diminuição da massa óssea nos indivíduos
com doença celíaca não tratada. Esse fato pode ser observado nas crianças,
adolescentes ou adultos, que no momento do diagnóstico da doença celíaca
realizaram o exame de densitometria óssea.
Os
indivíduos com doença celíaca podem apresentar osteoporose como um
sinal isolado, isto é, a única manifestação clínica da doença é a
osteoporose, ou podem apresentar a osteoporose associada com outros
sintomas. Assim, por exemplo, essas pessoas apresentam diarréia crônica,
e também a osteoporose.
Vale
a pena mencionar que um indivíduo com massa óssea diminuída, na maioria
das vezes, não apresenta sintoma relacionado a essa alteração óssea.
Assim, a pessoa que tem massa óssea alterada não tem conhecimento disto,
a não ser que realize o exame de densitometria óssea.
Por
que as pessoas com doença celíaca sem tratamento têm osteoporose? A
perda óssea está relacionada com a má absorção de cálcio que ocorre
devido à atrofia da mucosa do intestino. Como a vilosidade intestinal está
atrofiada não é possível absorver o cálcio presente nos alimentos. A não
absorção do cálcio acarreta aumento de um hormônio denominado paratormônio
que acelera a perda óssea. Outro fator relacionado à baixa densidade óssea
no celíaco não tratado é a má absorção de vitamina D. Dentre os
demais fatores que contribuem para a baixa densidade óssea no celíaco
sem tratamento estão: baixo consumo de cálcio, baixa atividade física,
e efeitos da liberação de citocinas, que são substâncias liberadas
pelo intestino alterado.
Com
relação ao consumo alimentar de cálcio, vale a pena conferir na Tabela
1 quais são os principais alimentos que são fontes de cálcio. No
estudo que realizamos no ambulatório de Gastroenterologia Pediátrica da
UNIFESP-EPM, observamos que a ingestão de cálcio dos celíacos é
extremamente baixa. De acordo com as recomendações para uma dieta
correta, considerando que 100% de cálcio correspondem à quantidade ideal
de cálcio ingerido, verificamos que crianças e adolescentes com doença
celíaca ingeriam apenas 15% das necessidades recomendadas de cálcio.
Veja na Tabela 2 qual é a
quantidade necessária diária de cálcio recomendada para a sua idade.
Algumas dicas para aumentar o consumo de cálcio: café da manhã -
iogurte ou leite batido com frutas, e queijo; almoço e jantar - colocar
cubinhos de queijo na salada, adicionar leite nas sopas e fazer sobremesas
com leite.
O
que o celíaco deve fazer para que a massa óssea se normalize? O celíaco
deve realizar a dieta sem glúten. Com isso a mucosa intestinal que estava
atrofiada torna-se normal. Consequentemente, a mucosa intestinal normal é
capaz de absorver adequadamente o cálcio presente na dieta e com isso o
osso se recupera. É importante também adequar o consumo de cálcio e
praticar atividade física.
É
importante enfatizar que, quanto mais tardio o diagnóstico e tratamento
de doença celíaca, maior o tempo de má absorção de cálcio e
consequentemente maior a perda óssea. Deve-se lembrar que a mineralização
óssea ocorre principalmente nos dois primeiros anos de vida e na adolescência.
Por essa razão, a adequada mineralização óssea na infância e adolescência
é considerada um fator relevante na prevenção da osteoporose na vida
adulta.
Qual
a conseqüência do indivíduo com doença celíaca apresentar baixa
densidade mineral óssea? A conseqüência é que o osso enfraquecido tem
risco elevado de apresentar fraturas. As complicações decorrentes das
fraturas podem causar perda da qualidade de vida e, até mesmo risco da própria
vida.
Um
trabalho recente demonstra que a pessoa com intolerância ao glúten tem
maior chance de ter fratura óssea, e que na maioria das vezes a fratura
ocorreu antes do diagnóstico e tratamento da doença celíaca ou nos
indivíduos com doença celíaca que não obedeciam à dieta sem glúten.
Esse estudo reafirma a necessidade de estabelecer o diagnóstico e
tratamento precoce, assim como, de obedecer à orientação alimentar
prescrita para prevenir a ocorrência de osteoporose no celíaco.
Tabela
1. Quantidade de cálcio em 100g de alimento.